Análise e comentários de Atos 8  

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Neste texto trazemos algumas curiosidades e informações importantes de Atos 8. O estudo bíblico de Atos muda um pouco de foco a partir do capítulo 8, quando o livro de Atos relata as perseguições da igreja cristã e o início do apostolado de Paulo, até então chamado Saulo. Saulo passou a ser mais conhecido por Paulo após a conversão ao cristianismo. Até aqui o estudo bíblico sobre o livro de Atos nos revelou como era a igreja primitiva, como surgiu o cristianismo como uma nova doutrina de fé e como Pedro foi importante para o início da igreja cristã.  

Dos capítulos um a sete, lemos, basicamente sobre o poder e o progresso da igreja. Já entre os capítulos oito e doze, lemos sobre a expansão da igreja. A partir daí, foram relatadas as viagens de Paulo.  

A primeira parte do estudo sobre Atos dos apóstolos, do capítulo 1 ao 7, termina com a morte de Estevão, condenado pelos sacerdotes do Sinédrio á morte por apedrejamento. Pela primeira vez ouvimos falar de uma pessoa chamada Saulo, que consentiu da morte de Estevão. Aliás, esta passagem é muito importante por revelar que Saulo guardou as vestes de Estevão, o que demonstra o respeito de Saulo por Estevão.  

A diferença entre Saulo e Paulo é que Saulo era o nome judeu dele, enquanto Paulo era seu nome romano, nome de cidadão romano. O nome Saulo permaneceu até sua primeira viagem missionária, quando, em Pafos, apareceu como líder daquela missão.   



Já nos primeiros versículos de Atos 8 podemos ler sobre a primeira perseguição aos cristãos, o início da perseguição à igreja primitiva. Os cristãos se espalharam por Jerusalém. Alguns resolveram fugir por medo de perseguição e prisão. Mas, muitos cristãos se espalharam para cumprir uma ordem de Jesus – Mateus 10:23. Em Atos 8:3 podemos ler que Saulo assolava os cristãos. O verbo assolar é utilizado para demonstrar a intensidade com que ele perseguia os cristãos.  

Em Atos 8 também lemos sobre o discípulo Filipe pregando em Samaria, mais uma curiosidade sobre a igreja primitiva. Até então, a cidade de Samaria era chamada de Sebaste. Alguns manuscritos relatam que Filipe pregava “numa cidade de Samaria”, que quer dizer uma cidade menor na região de Samaria.   

Seguindo o estudo bíblico do livro de Atos 8, entre os versículos 9 e 13 lemos sobre o mágico Simão, um ilusionista que resolveu abraçar a fé. O curioso é que o próprio Simão era dito como abençoado por Deus, suas enganações lhe garantiam um status de profeta. Como podemos perceber, Pedro é categórico ao mencionar que “o próprio Simão abraçou a fé”. Isso porque provavelmente a sua conversão não era legítima. Pedro e João seguiam pregando em Samaria; Simão, ao vê-los, batizando com Espírito Santo, lhes oferece dinheiro para que o mesmo fosse feito com ele. Por isso, muitos estudiosos entenderam que a conversão de Simão era mais interesseira que  sincera. 

Ao ler os versículos 14 ao 17 podemos entender que embora os samaritanos já tivessem sido  batizados em água, conforme o versículo doze, o dom do Espírito Santo só foi alcançado quando Pedro e João lhes impusessem as mãos. De uma forma geral, o Espírito é ofertado quando se crê, mas nesta situação, era necessário, primeiro, uma identificação dos samaritanos com os apóstolos e com a igreja de Jerusalém, para não surgir uma rivalidade dentro do próprio cristianismo.  

Nos versículos 22 a 24, lemos sobre a atitude de Simão pedindo que rogassem por ele. Não está bem claro se trata-se de um arrependimento honesto ou se fazia aquilo para fugir de possíveis consequências trágicas. Claramente Simão tenta comprar o dom de Deus, mas ao ser repreendido, talvez poderia pedir que os outros orassem por ele para escapar do castigo. É mais provável que ainda estivesse pensando em termos mágicos e não de real arrependimento.  

O versículo 23 de Atos 8 menciona o ‘fel de amargura’ como uma referência à apostasia e idolatria de Simão – recomendo ler Deuteronômio 29:18.  

O caminho mencionado no versículo 26 é o caminho que levava à Gaza, destruída em 93 aC, que ficava mais nas terras do interior que a terra de Gaza no Novo Testamento. A leitura de Atos 8 revela que Filipe saiu de Samaria e foi por um caminho pouco conhecido, onde encontrou um eunuco. O caminho percorrido por Filipe fica ao sul da Palestina, perto da faixa de Gaza. O etíope mencionado era natural da terra ao sul de Assuã e não da área atual da Abssínia, atual Etiópia. De qualquer forma isso mostra como o evangelho estava se alastrando. O termo Candace era um título dado às rainhas etíopes e não era o nome de alguém.  

O texto que o eunuco estava lendo era o de Isaías 53:7 e 8. Uma curiosidade é que até a vinda do Messias, Isaías 53 era lido pelos judeus como uma referência ao Messias, mas atualmente preferem dizer que se trata de uma alusão ao próprio Isaías ou ao povo de Israel. Quando os cristãos passaram a associar esta passagem a Jesus, os judeus passaram a mudar a interpretação.  

Uma curiosidade bíblica encontrada em Atos 8 é que muitos manuscritos emitem o versículo 37.   

Entre os versículos 39 e 40 do capítulo 8 de Atos podemos ler uma das histórias mais misteriosas e interessantes da Bíblia, o arrebatamento de Filipe, que desapareceu da vista dos homens e foi parar em Azoto. Aparentemente, Filipe passou a morar em Cesaréia (Atos 21:8). A cidade de Azoto, mencionada em Atos 8:40, é a cidade de Asdode do Antigo Testamento, a 32 quilômetros ao norte de Gaza.  

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