Assuma seus erros da vida, não invente desculpas

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Quando Paulo escreve a primeira carta aos cristãos de Corinto, ele identifica uma igreja cheia de divisões (1:10). Cada um fazia o que acha melhor (3:10) e usavam desculpas esfarrapadas para manterem seus pontos de vista. Assim, ainda hoje, usamos desculpas e pontos de vistas para justificar nossos erros da vida. Ao invés de assumir que erramos, preferimos situar as condições, enumerar as circunstâncias, explicar todo o contexto e, no fim das contas, nos colocamos como vítima da situação. Quando assumimos nossos erros, abrimos os olhos para compreender os motivos que nos levaram a errar, e assim podemos evitar errar novamente. Todos cometemos erros, o que vai nos ajudar é assumir os erros e não encobri-los.

Quantas vezes usamos nossos argumentos, nossa forma de pensar, para justificar vícios ou atitudes que não são compatíveis com nossa fé? Se alguém aponta nosso erro, eis o motivo de sair da igreja, mudar de religião, ficar em casa ou simplesmente deixar de ter fé. Ainda dizemos que somos humildes, mas os outros é que querem “me manipular. Tirar minha liberdade”. Usamos inúmeros argumentos para justificar nosso comportamento, que revela nossa falta de domínio próprio, de seriedade com nossa fé. “Ficar com ‘as mina’ não é errado. Afinal, sou ‘sujeito homem'”. “Beber socialmente não é condenável”. “Mostre na Bíblia onde diz que não se pode fumar”. “Fulano é líder na igreja X e lá ele pode fazer isso”.

Diversas passagens do livro de provérbios nos ensinam a assumir os erros da vida e não buscar explicações.

  • O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se. Provérbios 29:11
  • Quem insiste no erro depois de muita repreensão, será destruído, sem aviso e irremediavelmente. Provérbios 29:1
  • Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia. Provérbios 28:13
  • Os sábios de coração aceitam mandamentos, mas a boca do insensato o leva à ruína. Provérbios 10:8

Liberdade não é Libertinagem

Nem precisar ter fé em Deus para saber que Liberdade e Libertinagem são bem diferentes. O problema é que muitos que se dizem adultos continuam com espírito de adolescente, ou crianças. Querem fazer o que “dá na telha” sem arcar com consequências. Somos civilmente livres, mas isso não nos dá o direito de andar pelado, matar o vizinho, ouvir música alta na madrugada. Esses são alguns exemplos que nos mostram que nossa liberdade na sociedade também tem limites. Em nossa fé é a mesma coisa. Nossa liberdade tem limites, e estes limites são claros, basta estudarmos um pouco a Palavra e, principalmente, praticar o amor ao próximo.

Quando não queremos assumir os erros da vida, usamos até passagens sagradas para nos justificarmos. O que vale é arrumarmos uma desculpa para justificar nossos erros, nossas inconstâncias. Chamamos os líderes das igrejas de manipuladores, fariseus e ignorantes. “Esperto” somos nós, que estudamos, conhecemos a história da humanidade, fizemos faculdade, conhecemos culturas diferentes. Nossa soberba vai lá em cima, e todos que não concordam conosco são meros “ignorantes”. Quando assim pensamos, damos um enorme passo para nossa própria destruição.

Corinto

Vamos ver dois trechos da primeira carta de Paulo aos coríntios, que nos revelam como estava aquela igreja. Em 1 Coríntios 1:10 lemos sobre as divisões de pensamentos.

Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês, e, sim, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer.

Depois, no capítulo 3, lemos dois versículos que nos revelam quão imaturos eram. Segue os versículos 1 e 10.

“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo”; e “Conforme a graça de Deus que me foi concedida, eu, como sábio construtor, lancei o alicerce, e outro está construindo sobre ele. Contudo, veja cada um como constrói”.

Cada um fazia o que bem entendia e ainda justificavam seus erros afirmando que uns seguiam Paulo, outros seguiam Apolo. Aquela comunidade não estava preocupada com os erros da vida, mas sim em justificar suas ações.

Nessa carta que Paulo padroniza a celebração da ceia. Naquele local, cada um celebrava ao seu modo. Alguns iam à igreja para comerem como se estivessem numa festa, outros bebiam a ponto de ficarem bêbados, e diziam que estavam celebrando a ceia (11:17-34). Imagine uma cerimônia sagrada cheia de bêbados e comilões. Quem queria celebrar a ceia como de fato deveria ser não conseguia.




Erros de estimação

Muitas vezes, nos achamos humildes, santos e cheios de conhecimento. Somos inteligentes demais para seguirmos líderes que nem fizeram faculdade, que são “bitolados ou fanáticos”. Tudo simplesmente porque não temos a ponderação de nos esforçarmos para abandonar algumas práticas e assumir os erros da vida que cometemos. Vale ressaltar que basta raciocinar que tais práticas não nos trazem benefício algum.

Basta tomarmos iniciativa de combater nossos maus hábitos. No começo pode ser difícil, mas apenas reconhecendo e tendo a boa vontade de abandoná-los já é um importante passo.

Não empurre a culpa para o diabo

Outro erro comum, para desviarmos o foco de nós, de nossas falhas, é empurrar a culpa para o inimigo de nossas almas. Por exemplo, tem homem que se acha o bonitão, cheio de vaidades, que alimenta seu ego. Aí, comete adultério e vem com essa que desculpa “caiu na armadilha, ou que foi vítima”. Cultivamos nossas vaidades, o que enche nosso ego, e quando erramos, não assumimos diretamente o erro, a culpa é da tentação.

Vamos a um exemplo prático. Uma pessoa que não se esforça em seu trabalho, faz corpo mole e não investe em cursos e estudo. Não tem humildade para seguir instruções, então, quando fica desempregado, fica pedindo oração pra igreja “porque tá osso”. Outro exemplo comum que podemos dar é o da “madame” que fala de tudo para todos e depois tem que ficar orando para “espírito de confusão sair”.

Enfim, empurrar os erros da vida para o diabo é muito mais cômodo que assumir nossos erros e nossas falhas.

Um exemplo bíblico é o do rei Davi. Que cometeu adultério e ainda mandou matar o marido da mulher, para tentar “consertar” seu erro. Quando decidimos que, simplesmente, o erro não é nosso. A tendência é só piorar, como uma bola de neve, um erro chama o outro.

Vencendo nossas falhas

Não estamos ilesos às falhas, claro, mas podemos evitar cometer erros comuns, e conseguimos superar os erros da vida com algumas atitudes simples. Em primeiro lugar, devemos ter consciência que quando agimos conscientemente não podemos falar em “armadilha”. Quando roubo, xingo, traio, fofoco estou agindo por minha conta. Ninguém fica possuído por um espírito do além e comete adultério. Devemos ter humildade para reconhecer que não somos perfeitos. Temos falhas e somos suscetíveis a erros. Temos que identificar áreas que somos mais fracos. Se é na área sexual, finanças, língua, tanto faz, devemos “ficar espertos” e não alimentar aquilo que pode nos trazer destruição.

Estar em família, igreja, também é indispensável. Participando de uma comunidade cristã aprendemos, ouvimos, meditamos e mantemos nossa mente ocupada aprendendo coisas boas e proveitosas para nós.

Vamos concluir este texto meditando nos seguintes versículos para enfrentarmos os erros da vida com dignidade e autoridade.

  • 1 Corintios 11: 1 – Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo
  • Provérbios 3: 5-8 – Confia no Senhor de todo o teu coração e não se estribes (não confie demasiado) no teu próprio entendimento. Reconhece-o nos teus caminhos e Ele endireitará tuas veredas. Não seja sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; seja isso refrigério para os teus ossos.
  • Provérbios 16:2 – Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor peso o espírito.

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