Devocional sobre “nascer de novo” 

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Ao lermos João 3, vemos a história de Nicodemos. Na ocasião, Jesus ensinou sobre nascer de novo, o que causou certa confusão de entendimento para o fariseu chamado Nicodemos. Na explicação que Jesus dá ao príncipe judeu, ele chega a mencionar o principal ensinamento do cristianismo, que está em João 3:16, que é o fato de Deus ter nos amado a tal ponto de enviar seu único filho para que tenhamos a vida eterna. Nesta devocional veremos como este ensinamento de renascer implica que também precisamos morrer, pois só contempla a face de Deus quem morre. Nossa fé deve ser movida pelo desejo de contemplar a face de Deus e não em pedir favor às suas mãos, como muitas vezes nos acostumamos.

Quando queremos falar do amor de Deus às pessoas, muitos rejeitam porque pensam em favorecimentos pessoais. Só se sentiriam amado por Deus se verem a multiplicação dos pães, ou o mar se abrindo. Na verdade, mesmo que isso acontecesse, essas pessoas dificilmente manteriam sua fé porque quando pedem para ver estes sinais, na verdade, estão sendo egoístas e pensando em benefícios próprios. Se verem tais milagres, logo vão querer outro e outro, mas sempre para satisfazerem suas necessidades, por isso temos que levar em consideração que a fé não serve para buscarmos as mãos do Senhor, mas em contemplar sua face, ou seja, vivenciar sua atmosfera sobrenatural.

Exemplo de Moisés 

Em Êxodo 33 do versículo 18 ao 22 podemos ler sobre a tentativa de Moisés em contemplar a face de Deus. Neste trecho, fica bem claro que ninguém poderá ver a face de Deus e viver.

Vivemos pedindo bênçãos e milagres, ou seja, buscamos as mãos de Deus. Deveríamos buscar o quebrantamento, arrependimento, conversão de nosso interior, isso é buscar a face de Deus. Precisamos renovar nossa mente, ou seja, nascer de novo. É muito difícil alguém compreender a diferença entre buscar somente as mãos de Deus, ou seja, seus milagres, e buscar sua face, ou seja, sua atmosfera. Pois para compreender isso precisamos nascer de novo. Deixar de lado nossos pensamentos egoístas, desejo de satisfazer nosso ego, para um pensamento em buscar comunhão com o Eterno. No exemplo de Moisés, ele queria mais intimidade, um relacionamento mais profundo com seu Senhor, por isso, desejou contemplar a face de Deus.

  • Se apoiarmos nossa fé nas mãos de Deus, quando as bênçãos ficam escassas ou se “acabam”, ficamos frustrados e nos desviamos da fé. Na outra mão, se nossa fé se apoia numa experiência interior, nossa fé é inabalável, pois teremos uma mudança inexplicável, uma renovação da mente.

Se você baseia sua fé nas circunstâncias de sua vida, você nunca será satisfeito, pois ninguém tem, e nunca terá, uma vida perfeita sem dramas, dúvidas e lágrimas. Ao nascer de novo, entendemos que devemos louvar ao Senhor apesar das dificuldades. É sempre bom ressaltar que não estamos dizendo que devemos agradecer a Deus pelas dificuldades, mas louvá-lo apesar delas, ou seja, mesmo em momentos difíceis devemos manter nosso coração reto e mente direcionada para compreender a vontade de Deus em nossa vida.

Temos que morrer 

Devemos morrer para ver a face de Deus. Espiritualmente falando, devemos matar nossas vontades e desejos que nos afastam de Deus para que tenhamos a chance de contemplarmos sua face (viver uma experiência eterna). Por isso, ao falar com Nicodemos, Jesus ensinou que devemos nascer de novo para contemplar o Reino de Deus. Quando mudamos nossa mente, matamos o velho homem, estamos abrindo espaço para viver o sobrenatural, uma real aproximação com o Pai, que vai firmar nossa fé em uma rocha eterna, inabalável. Não devemos calcar nossa fé no que é transitório. As circunstâncias mudam. Ora são boas, ora são desfavoráveis, isso não indica que Deus nos abandonou, ou que estamos fazendo algo de errado.

Como nascer de novo 

Para mudar nossa rotina, temos que cortar alguns vínculos perigosos. Alguns programas de TV, alguns sites, alguns sites de relacionamento, algumas amizades das redes sociais. Os relacionamentos que temos com as pessoas precisam ser repensados. O uso que fazemos das mídias, os livros que lemos, as músicas que ouvimos. Nossa rotina precisa ser repensada. Esta é a nossa oportunidade de realmente recomeçar nossa vida. Se desejamos contemplar a face de Deus, precisamos nos esforçar para uma nova vida, matando o velho homem, os velhos costumes e desejos.

Talvez, Um dos maiores perigos, que temos dificuldades em matar, é nossa vontade de manter uma rede social. Amigos, primos, vizinhos, ex-colegas de escola, amizade com o primo do cunhado da tia da minha sogra e por aí vai. Uma das grandes vontades a ser “matada” é de manter estes relacionamentos. Não que devemos ser isolados do mundo e ignorar tudo e todos (Cristo não agiu assim), mas não precisamos ir aos churrascos, futebol, assistir ao jogo juntos, ir à praia e outro eventos sempre que nos solicitarem. Com o tempo, aprendemos a equilibrar nossa vida social com nossa fé. Ao decidirmos nascer de novo precisamos selecionar nosso convívio também.

Amar é renascer 

Podemos ler em Apocalipse 12:10 e 11, onde diz que só contemplará a Glória total de Deus quem não temer amar a Deus mesmo em face da morte.

Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.

Neste trecho, quem não se atentar pode achar algo cruel, “não amar a própria vida em face da morte”, mas estamos aprendendo sobre um amor incondicional e altruísta, como o de Cristo, que não temeu agir de forma a agradar ao Pai antes de agradar a si mesmo, por isso, ao orar antes da crucificação disse “afaste de mim este cálice. Todavia seja feita a tua vontade”. Nesta oração, aprendemos a amar ao Senhor e sua vontade, prevalecendo sobre a nossa. Talvez este seja o grande segredo para nascer de novo, deixar a vontade do Senhor se sobrepor à nossa.

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