Estudo bíblico sobre Atos 2  

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O estudo bíblico de Atos fica bem interessante a partir do capítulo 2, pois começamos a ler sobre as obras do Espírito Santo. Os apóstolos começam a converter os primeiros cristãos. Atos é um livro bem legal para sabermos como surgiu o cristianismo e o poder do Espírito Santo. O derramamento do Espírito de Deus, relatado em Atos 2, já era profetizado por muitos profetas antigos. Por exemplo, sobre o poder de realizar sinais e prodígios, podemos ver uma referência sobre isso no pequeno livro escrito por Joel, no capítulo 2, a partir do versículo 28.

Uma curiosidade bíblica encontrada em Atos 2 é que Pentecostes era o nome em grego da Festa das Semanas, mas poucos sabem disso, algumas traduções indicam esta celebração como Festa da Sega. Pentecostes era a quarta festa do calendário judaico, era celebrado depois da Páscoa, pães asmos e primícias. A festa de Pentecostes acontecia 50 dias depois da festa das primícias. Uma curiosidade bíblica sobre as festas judaicas é que a festa das primícias foi comparada à ressurreição de Cristo em 1 Coríntios 15:23. Conforme podemos ler em Êxodo 23:16, era a festa marcava o início da colheita do trigo. Para muitos estudiosos cristãos, o fato narrado em Atos 2 marca o início da igreja cristã.

No versículo dois, ao lermos sobre ‘um som, como de um vento’, o autor está dizendo, provavelmente, que foi parecido com um vento, mas não foi um vento literal. No versículo seguinte, após o narrado, provavelmente os que ali estavam tenham se dirigido ao templo.  

Ao mencionar que ‘todos ficaram cheios do Espírito’, em Atos 2:4, Lucas (provável autor do livro) está se referindo a uma experiência que se repetiu várias vezes, como é possível comprovar em Atos 4:8,31 – 6:3,5 – 7:55 – 9:17 – 13:9, 52. Nessas ocasiões, inúmeras pessoas se convertiam. De acordo com alguns estudos bíblicos, também ocorreu aqui o batismo no Espírito Santo, embora não mencionado claramente. O batismo no Espírito não é algo repentino, mas sim uma experiência que o cristão vive de forma individual, tornando-o parte do corpo de Cristo. Atos 2:4 revela que falavam em outras línguas, mas de forma que outros pudessem compreendê-los, portanto eram línguas humanas.

Logo nos primeiros versículos de Atos 2 é relatado a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, uma das festas judaicas, estabelecida conforme o livro de Deuteronômio (16:9-11), milhares de anos antes do derramamento do Espírito Santo. Ao escrever sobre a descida do Espírito Santo, o escritor revela que haviam pessoas de várias nações. Quando o versículo 5 diz que haviam pessoas de todas as nações que existem de baixo dos céus, no entanto, para alguns estudiosos este termo se refere a todas as nações alcançadas do Império Romano e das regiões conhecidas por Israel; e não literalmente de todas as regiões do planeta. Isso não significa uma mentira, pois na visão do autor, ali estava pessoas de todas as nações que ele tinha conhecimento. Nos versículos 9 e 10 podemos ter uma noção dos povos que estavam representados ali. A palavra de Deus ali ensinada e os sinais do Espírito Santo serviram para que as pessoas voltassem para suas cidades e também testemunhassem sobre o cristianismo. As nações mencionadas entre os versículos 9 e 11 circundavam o mar Mediterrâneo.

O discurso de Pedro

A partir do versículo 14, lemos sobre o discurso que Pedro fez para quem estava ali presente com sede de ouvir a Palavra de Deus. O sermão de Pedro começa com uma explicação dos fenômenos testemunhados pelos que estavam ali presente. Depois, Pedro faz um relato do evangelho e de sua mensagem.

Ao ver que as pessoas falavam várias línguas, alguns que estavam por ali acreditavam que estavam bêbados e não falavam coisa com coisa, mas como era muito cedo, por volta das 9h, Pedro teve que ‘dar uma bronca’ nos que pensavam assim. Ainda hoje é comum pessoas não convertidas zombarem ou duvidarem do acontece com os cristãos. Acham que as revelações, curas e outros sinais são causados por ignorância, coincidência ou outros motivos naturais. Naquela época era comum os judeus que participavam das atividades nas sinagogas ficarem sem comer ou beber até às 10h, alguns só comiam ou bebiam após meio-dia.

No versículo 16, de Atos 2, o autor se refere ao texto de Joel 2:28 a 32. Uma profecia que se dará no futuro, antes do retorno do Messias. O texto é mencionado por Pedro para lembrar aos que ali estavam da profecia, reforçando o ocorrido, o fato de pessoas estarem falando várias línguas era o cumprimento de uma profecia e não o resultado de embriaguez.  

Os versículos 19 e 21 falam do Dia Glorioso do Senhor. Para muitos teólogos este dia refere-se ao fim desta era, na volta de Cristo, pois as palavras usadas são muito parecidas com as palavras usadas em Mateus 24:29.

Em seguida, Pedro repreende os judeus pelo o que fizeram com Jesus. Infelizmente, por anos, os judeus foram associados como únicos, ou principais, responsáveis pela morte de Jesus. Quando a igreja cristã começou a se formar como igreja católica, os judeus eram perseguidos como culpados da morte de Cristo, mas a Palavra de Deus, como vemos nos versículos 22 e 23 e em vários outros pontos, revela que a morte de Jesus deveria ocorrer de qualquer jeito, no entanto as ações de nossas escolhas têm consequências. Aquela geração rejeitou Jesus Cristo e não poderiam ser inocentes de terem negado o Messias. Nosso livre arbítrio não pode ser desculpa para errarmos e depois dizer “era a vontade de Deus que isso ocorresse” ou “Deus sabe de todas as coisas”. Ainda sobre a morte de Cristo, não podemos esquecer, que na verdade, foi ele (Jesus) que entregou seu espírito.

Seguindo Atos 2, entre os versículos 22 e 36 Pedro relembra a vida e morte de Jesus, citando a profecia de sua ressurreição, de Salmos 16:8-11, texto no qual Davi se refere ao Messias, para associar com o fato de Jesus ter ressuscitado, na tentativa de fazê-los entender que Jesus era o Messias.

No versículo 27, podemos ler sobre a morte, no texto original ‘hades’, por isso algumas traduções trazem ainda a palavra Ades. Trata-se do mundo invisível, muitas vezes associado a lugar de sofrimento ou sepultura, como é o caso aqui. Este trecho explica que Deus não permitiria que o corpo e o espírito de Jesus ficassem separados.




De acordo com a Bíblia, o discurso de Pedro também ressalta que ali estavam pessoas testemunhas da ressurreição de Cristo (versículos 31 e 32). As evidências são basicamente duas. Primeiro, o túmulo vazio, segundo as pessoas que viram o próprio Jesus ressurreto.

Em Atos 2:33 lemos que Pedro declarou que o Espírito Santo fora enviado por Cristo ressurreto. No versículo seguinte, Pedro menciona Salmos 110:1 para mostrar que o Messias encontra-se, agora, à destra do Pai, de onde subjulgará seus inimigos, reinando no trono de Davi. Neste meio tempo, enviou o Espírito Santo. No versículo 36, Pedro esclarece que Jesus é o messias, Senhor e Deus, uma divindade plena. Em Atos 2:37, ao escrever que ‘compungiu-se o coração’, o autor quer dizer que houve um sentimento de arrependimento.

O fim do discurso de Pedro

Quando o discurso de Pedro terminou, quase três mil pessoas se converteram, o que mostra a multidão que ali estava. Aqui também podemos ver que para se tornar um seguidor de Cristo basta se arrepender de seus maus caminhos. Na sequência também vemos que após isso, é possível que cada um receba o dom do Espírito Santo (v. 38).

No versículo 38 de Atos 2, ao dizer ‘arrependei-vos’, Pedro faz uma apelo a uma mudança de opinião, para que os ouvintes aceitassem Jesus como salvador e messias. Este arrependimento nos traz salvação, por meio da graça. No entanto, como podemos ler em 2 Coríntios 7:9 e Apocalipse 2:5, o cristão ainda deve se arrepender de pecados específicos. Este arrependimento não está relacionado com salvação, conforme Mateus 21:28-30. O batismo mencionado neste versículo é um reforço ao batismo na água como sinal exterior de arrependimento e perdão, mas o perdão vem de Cristo e não do batismo. Assim como em Mateus 12:41 o termo utilizado no texto original grego pode ser traduzido por ‘para’ ou ‘porque’. o dom do Espírito Santo é concedido deliberadamente a todos, não é exclusividade de alguns.

Atos 2:42 menciona ‘no partir do pão’ como referência à ceia do Senhor.

Para terminar o estudo bíblico sobre Atos 2, vale ressaltar os versículos 44 e 45, que relatam como os cristãos da época viviam repartindo tudo entre eles. Era como uma comunidade na qual tudo era de todos. Essa atitude também serviu para que muitas pessoas percebessem a misericórdia daquelas pessoas e tivesse vontade de fazer parte daquele povo.

Atos 2

A Palavra de Deus, em Atos 2, relata a origem dos cristãos e do poder do Espírito Santo.  Segundo os principais estudos bíblicos, a comunhão relatada em Atos 2 se limitou aos primeiros anos da igreja primitiva em Jerusalém. Essa necessidade também estava associada pelo fato de a cidade receber muitos peregrinos que decidiram ficar em Jerusalém para aprender mais sobre o cristianismo.

No próximo estudo, sobre Atos 3, vamos conhecer um pouco melhor a vida dos primeiros cristãos e do próprio apóstolo Pedro.

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