Estudo sobre Atos 5 e a história de Ananias e Safira 

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Neste estudo bíblico sobre Atos 5 veremos uma das histórias mais conhecidas do início da era cristã, o caso de Ananias e Safira. O capítulo 5 do livro dos Atos dos apóstolos, escrito (muito provavelmente) por Lucas, é um ótimo livro para realizar um estudo bíblico, pois contém histórias interessantes. Para melhor entender este capítulo do livro de Atos, vamos dividir este pedaço em três partes, como é feito na maioria das bíblias. O primeiro trecho relata a história do casal Safira e Ananias. Este casal da bíblia é um dos mais conhecidos nos estudos bíblicos, veremos o porquê mais adiante. Em seguida podemos ler os relatos da prisão dos apóstolos. E o último trecho deste capítulo relata a história do julgamento de Gamaliel. Após este estudo você perceberá porque este é um pedaço importante da bíblia, do início da igreja cristã. Para muitos cristãos este último trecho de Atos 5 mostra como o cristianismo é uma obra divina e não mais uma religião criada por homens e interesses humanos, como muitas seitas da época. 



Ananias e Safira 

Vamos começar com o casal Ananias e Safira. Logo nos versículos um e dois de Atos 5 podemos ver qual foi o erro deste casal. Eles fizeram a venda de um terreno para doar o dinheiro para a igreja cristã, que estava surgindo, mas resolveram guardar uma parte do dinheiro para si. Nada de errado nisso, mas mentiram à igreja dizendo que o que estavam doando era o valor total da venda. Talvez, a grande motivação do casal para isso tenha sido por vaidade, ou hipocrisia. Queriam ‘aparecer’ para o restante da igreja como casal bondoso e caridoso. 

Nos versículos três e quatro podemos ver que Pedro confronta o casal, provavelmente motivado pelo Espírito Santo, que teria revelado a Pedro o que o casal havia feito: mentido. 

Repare que no versículo 3 o autor usa o termo “satanás encheu”, que tem o mesmo significado de assumiu o controle. É o mesmo termo usado em Efésios 5:18 quando se fala que devemos ser cheios do Espírito Santo. Podemos ler, ainda em Atos 5:3, que o pecado de Ananias e Safira foi mentir e não o fato de deixarem de entregar o valor total da propriedade, ou reservar para sim parte do lucro da venda. Tentar mentir para o Espírito Santo é a mesma coisa que tentar mentir para Deus, pois formam um só Criador. 

Uma pequena curiosidade pode ser lida no versículo seis, onde podemos ler um costume da época de Jesus. O sepultamento dos mortos era feito no mesmo dia do falecimento. Além disso, o termo “cobriram-lhes” tem o significado de enrolar com os mantos. 

Ao lermos o versículo 9, lemos sobre tentar o Espírito do Senhor, ou seja, abusar da bondade de Deus. 

Sinais e prodígios 

O livro de Atos dos apóstolos menciona o termo sinais e prodígios diversas vezes. No versículo doze, o termo “sinais e prodígios” aparece de novo. Ao longo de toda a bíblia podemos ver que este termo sempre aparece em épocas de crise. Podemos verificar este termo também no livro de Êxodo (do capítulo 7 ao 12), nos dias de Eliseu (2 Reis 6;7) e no ministério de Jesus, como relatado por João em João 4,6. O versículo 12, de Atos 5, também menciona o termo Pórtico de Salomão. Trata-se de uma colunata ao leste do templo de Herodes. Atos 5:12 reforça que muitos milagres eram feitos pelos apóstolos, como também podemos ver em Atos 2:43. Dos versículos 12 a 16 do livro de Atos podemos ver que a quantidade de cristãos crescia constantemente. 

A partir do versículo 17 o foco é sobre as perseguições sofridas pelos apóstolos. A perseguição dos apóstolos nos faz ver que aqueles homens entendiam que valia a pena seguir os ensinamentos de Jesus ainda que isso lhes custasse a liberdade e outros tipos de violência. 

Mais uma vez o livro de Atos menciona os saduceus perseguindo os cristãos, como faziam desde Mateus 3:7, quando João Batista batizava no deserto. Os saduceus estavam ficando irritados com a pregação da ressurreição de Cristo. 

Neste trecho também podemos ler sobre uma das histórias mais conhecidas da Bíblia, quando um anjo liberta os apóstolos da prisão. Em seguida os apóstolos vão ao templo, local apropriado para pregarem, pois ali era o centro de encontro do povo judeu. 

Ao ler o versículo 14, de Atos 5, podemos ver que muitos se convertiam, o que causava certo reboliço entre as classes judaicas, principalmente dos saduceus e fariseus, por isso, resolveram prender aqueles discípulos, alegando que pregavam coisas contrárias à fé de seus pais, a fé judaica. Em Atos 4:31 podemos ler que os cristãos já haviam sido advertidos para que nada falassem sobre Jesus. 

No versículo 19 a expressão ‘um anjo do Senhor’ é referente a um anjo comum e não uma referência ao Cristo pré-encarnado, como algumas vezes no Antigo Testamento. 

Quando Lucas (consideramos, neste estudo, Lucas como autor de Atos) escreveu, em Atos 5:21,‘o sinédrio e todo o senado’,ele se refere a apenas um grupo específico, o concílio dos anciãos. Uma curiosidade bíblica é que o termo grego original ‘kai’ foi traduzido por ‘e’ quando, segundo a maioria dos estudiosos, deveria ser traduzida por ‘ou seja’. 

Mesmo após a prisão, os apóstolos tiveram ousadia para voltar ao templo, o que poderia custar-lhes até mesmo a vida. Apesar de entenderem o que pregar sobre Jesus poderia lhes ocasionar, a fé dos apóstolos era tanta que não temiam o por vir. No versículo 21 podemos ler que na manhã seguinte Pedro e João ensinavam no templo, o que deixou o sumo sacerdote confuso. 

Seguindo a leitura de Atos 5, podemos ver que o versículo 28 menciona que o sumo sacerdote tenta tirar a culpa da morte de Jesus dos judeus, quando diz “quereis lançar o sangue deste homem sobre nós”, como quem diz “vocês querem nos culpar pela morte deste homem”. De fato, a morte de Cristo não pode ser atribuída aos judeus, nem a romanos ou qualquer outro grupo humano. Os líderes judeus estavam na defensiva, pois algumas vezes eram acusados de terem ordenado a morte de Cristo. Alguns líderes judeus da época recusaram aceitar Jesus como o Messias, como o Filho de Deus, provavelmente por orgulho ou vaidade, para não perderem o poder da autoridade sobre aquele povo. 

Gamaliel 

No versículo seguinte, podemos ver que o cristão deve obedecer ao governo, a menos que esta obediência seja heresia, como no caso relatado, no entanto, o autor é claro ao mostrar que neste caso devemos estar preparados para arcar com as consequências. 

  • O termo ‘príncipe’ empregado em Atos 5:31 significa autor ou líder. 

A partir do versículo 33 vemos que os sacerdotes se enfureceram, mas Gamaliel, um fariseu, preferiu soltar os apóstolos com o argumento “se falam de coisas humanas essa obra perecerá, mas se são levados por Deus, não há quem possa parar esta obra”. Poucos sabem quem era Gamaliel. Ele era um rabino da escola liberal de Hillel. Ambos eram rabinos respeitados, mas Hillel viveu antes de Cristo. A popularidade de Gamaliel era uma garantia que sua opinião seria ouvida pelo sinédrio. Ao lermos Atos 22:3, vemos que Paulo foi aluno de Gamaliel. 

Um estudo bíblico dos versículos 36 a 39 pode revelar como, naquela época, outros ‘profetas’ se levantavam todos os dias. Eram tempos históricos complicados para os judeus e muitos ‘salvadores’ se levantavam por aquele tempo. No entanto, tinham pouco poder de mudança e propagação, uma vez que eram doutrinas e ensinamentos de homens e não inspirados por Deus. A resposta de Gamaliel pode render muitos temas para pregações. 

Gamaliel cita Teudas e Judas, o galileu, como exemplos de revolucionários fracassados. Uma curiosidade bíblica é que esta é a única referência histórica de Teudas. 

A rebelião descrita em Atos 5:37 – levantou-se Judas – foi relatada pelo historiador judeu Josefo. Os seguidores deste Judas ficaram conhecidos como zelotes. 

Atos 5 possui muitas partes que podem servir de base para temas para pregações, pois fala no início da igreja cristã, conta a história de Safira e Ananias, revela a persistência e ousadia dos apóstolos e ainda contém detalhes históricos importantes. 

No próximo estudo, vamos analisar Atos 6 e ver mais algumas curiosidades históricas e relatos que nos faz compreender melhor como eram os dias nos tempos de Jesus e dos apóstolos. 

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