Estudo sobre Atos 1  

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Depois de dois textos gerais sobre o livro de Atos, vamos iniciar uma análise capítulo por capítulo e hoje vamos estudar Atos 1. Uma curiosidade bíblica pode ser encontrada logo no primeiro versículo de Atos, quando o autor escreve “escrevi o primeiro livro, ó Teófilo”, o que indica que o autor de Atos já havia escrito outro livro, possivelmente o livro do Evangelho de Lucas. O nome Teófilo significa ‘amigo de Deus’ ou ‘amado por Deus’. A maioria dos estudos bíblicos de Atos indica que Teófilo era um oficial romano, já que o autor emprega o título de excelentíssimo, usado no decorrer do livro para autoridades.

Outra curiosidade bíblica pode ser observada no versículo três, pois é o único trecho da bíblia que indica quantos dias Jesus permaneceu em terra após sua ressurreição. No versículo 4, de Atos 1, podemos ver que após a ressurreição Jesus ainda ficou mais quarenta dias com os apóstolos e durante este tempo pediu que eles não deixassem Jerusalém até que “a promessa do Pai” se cumprisse. Esta promessa foi feita ao profeta Joel, como pode ser verificada ao lermos Joel 2:28. Jesus também confirmou a promessa (Lucas 24:49).  No entanto, ao ler o versículo 6, vemos que os presentes acreditavam ser a promessa de restauração do reino de Israel. Jesus, no entanto, alerta que trata-se do derramamento do Espírito Santo.




Para muitos líderes cristãos, o versículo chave de todo o livro de Atos é Atos 1:8, onde a Palavra de Deus diz claramente o dever do cristão: ser testemunha de Cristo até os confins da Terra. Mas ao lermos a resposta completa de Jesus (versículos 7 e 8) vemos que Jesus não nega a restauração de Israel, ele apenas diz que esta promessa não tinha “época certa” e, em seguida, explica estar falando da promessa dada a Joel. Para alguns estudiosos, esta é uma evidência que o reino de Israel ainda será restaurando um dia no campo terreno e não apenas espiritual. Há, inclusive, estudos que apontam que o reino terreno de Israel tem ligação com a segunda vinda de Jesus.

Promessas e profecias

No versículo cinco de Atos 1, lemos que a igreja seria batizada com o Espírito Santo, promessa cumprida no dia de Pentecostes – Atos 11:15 a 16. O batismo no Espírito Santo é fundamental na vida do cristão, pois é o que nos une ao corpo de Cristo, como podemos ler em 1 Coríntios 12:13. Esta revelação levou os primeiros cristãos a imaginarem que o reino do Eterno também estava próximo de se estabelecer para sempre, por isso, no versículo seis há a pergunta se este era o tempo da restauração de Israel. A restauração de Israel refere-se ao reinado do Messias, o reinado davídico, o reino milenar sobre a Terra. No entanto, nada sobre este assunto é revelado, conforme também podemos ler em Mateus 24:36 a 42. A resposta dada por Jesus Cristo não descarta Israel definitivamente dos planos do Senhor. O tempo de Deus para Israel virá certamente, como podemos confirmar ao ler Romanos 11:26. Enquanto isso, o evangelho deve ser pregado ao mundo.

O autor ressalta que não devemos nos preocupar com o tempo vindouro, mas sim em pregar o evangelho, por isso, o cristão deve testemunhar até os “confins da Terra”, termo que se refere a Roma. Curiosamente, o livro de Atos termina com o relato da pregação do cristianismo em Roma.

Em Atos 1:11 podemos ler uma revelação interessante. Ao dizer que Cristo virá “do modo como o vistes subir” nos faz acreditar que a segunda vinda de Jesus será visível. Muitos estudiosos acreditam que a segunda vinda de Jesus será no Monte das Oliveiras. Para constatar esta crença, os estudiosos se baseiam em Apocalipse 1:7 e 19:11 a 16; além de Zacarias 14:4.

A distância mencionada no versículo equivale a pouco menos de um quilômetro, cerca de 900 metros. Os judeus acreditavam que esta distância era o que um judeu poderia percorrer no dia de sábado, conforme Números 35:5, uma interpretação de Êxodo 16:29.

Continuando o estudo bíblico de Atos 1, no versículo 13, está escrito que os discípulos de Jesus se reuniram no cenáculo. Não se sabe ao certo onde era isso, mas há quem defenda que trata-se da casa de João Marcos (autor do livro de Marcos, no Novo Testamento). Além disso, o Judas mencionado não era o Iscariotes, o traidor.

Novo discípulo

Em Atos 1, a partir do versículo 15, vemos que os discípulos discutiam a necessidade de escolher um substituto para Judas Iscariotes, o traidor. Nos versículos 21 e 22 vemos que eles precisavam escolher alguém que havia conhecido Jesus vivo e após a ressurreição. Não podia ser alguém que não tivesse visto Jesus após a ressurreição e nem alguém que não tivesse andado com Jesus antes da crucificação, pois isso poderia gerar dúvidas de seu testemunho. Para que a Palavra de Deus fosse pregada com autoridade, precisavam de uma testemunha confiável.

A posição tomada por Pedro mostra que ele recuperara sua segurança, após negar Cristo três vezes, cumprindo a promessa que lemos em Mateus 16:19.

  • Ao dizer que a escritura se cumpria, em Atos 1:16, Lucas (o provável autor de Atos) estava se referindo ao texto de Salmos 41:9.

Uma curiosidade bíblica está em Atos 1:16. Ao lermos sobre a morte de Judas, vemos que suas entranhas se rasgaram, provavelmente isso ocorreu porque Judas Iscariotes, ao tentar se suicidar, não conhecia bem as técnicas de enforcamento. O campo de sangue, mencionada no versículo 19, era localizado, possivelmente, ao sudeste de Jerusalém. No versículo seguinte, ao lermos sobre “seu encargo”, o autor refere-se à função de supervisor.

Em Atos 1:26 vemos que os apóstolos ‘jogaram sortes’ para escolher entre Matias e José Barsabás (também chamado de Judas). Escolheram Matias, mas Barsabás também viajava com os apóstolos, como podemos conferir em Atos 15:22. A questão de jogar sortes é um assunto ainda muito debatido entre pessoas que estudam a Palavra de Deus. Os estudos bíblicos consultados indicam que os dois nomes foram escritos em pedras e colocados em uma urna. O que fosse escolhido primeiro seria a escolha de Deus. Esta passagem tem referências em Provérbios 16:33 e Jonas 1:7. Este é um momento raro na história do cristianismo, pois o Espírito Santo ainda não havia sido derramado, e os apóstolos não tinham total comunhão com Deus para realizarem a escolha de outra forma.

Vamos concluir o estudo sobre Atos 1. No próximo estudo, sobre Atos 2, veremos que o assunto central é o Espírito Santo.

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