Como os cristãos equilibram fé e ciência ao redor do mundo

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Um assunto que causa muito incômodo nos evangélicos é fé e ciência. Com este texto queremos que a igreja cristã possa tratar o assunto da forma mais natural possível, principalmente entre os mais jovens, pois é notória a quantidade de jovens que deixam a fé de lado quando entram em uma universidade. Não queremos emoldurar nossa fé aos conceitos contrários à fé, mas fazer que possamos preparar melhor nossos jovens, nossos estudantes para uma período de descobertas e questionamentos que tem afastado muitos cristãos da fé.

Recentemente, o site Biologos.org publicou um texto abordando o debate na França e Espanha sobre ciência e fé. O texto é uma entrevista com Antoine Bret, um cientista francês que leciona na Espanha, autor do livro “The World Is Not Six Thousand Years Old”So What?” – (O mundo não tem seis mil anos. I daí? – tradução livre). O livro foi escrito em inglês justamente para ter uma alcance maior, tanto na comunidade religiosa como na científica.

Ao ler a entrevista e procurando um pouco mais sobre o assunto é possível perceber que este é mais um assunto interessante a ser pensado pelos cristãos no Brasil. Ciência e fé podem andar juntas, ou não devemos “forçar a barra”?




Fé e ciência na Espanha e França

O professor começa relatando sua experiência pessoal como cientista cristão e as principais dificuldades encontradas para manter sua fé sendo um cientista. Um ponto interessante a se destacar é o fato de que muitos jovens desistem de seguir a fé quando percebem que há muitos conflitos entre fé e ciência, e os líderes religiosos não estão dispostos a aceitar que a ciência tem sua relevância na vida das pessoas. Antoine ressalta que a ciência deve fazer parte da vida das pessoas como todas as demais áreas, mas como muitos cristãos não compreendem a ciência preferem apenas ficar na defensiva e criar argumentos de ataque à ciência, o que torna a bíblia ainda menos defensável. Por isso resolveu colocar o título de seu livro ‘A Terra não tem seis mil anos, i daí?’ (tradução livre de minha parte), para argumentar que o importante de nossa fé não é defender literalmente a bíblia, principalmente Gênesis, mas abrir a mente para compreender que as escrituras estão cheias de figuras de linguagem que não devem ser consideradas ao pé da letra.

O cientista até cita Mateus 5:45 como referência para demonstrar que Deus não precisa de fenômenos inexplicáveis para existir. O texto de Mateus é usado como exemplo simples e compreensível por todos: a chuva e o pôr do sol.

Cristãos que envergonham cristãos

Por outro lado, Bret faz um relato bem interessante. Ele explica que para quem não é cristão, cristão é tudo igual: ou é católico ou é protestante. Testemunhas de Jeová, Mórmons, Advestistas, Batistas, Universal ou qualquer outra ramificação do cristianismo é visto como protestante. Sabemos que isso não deveria acontecer, mas é a verdade. Portanto, quando uma determina linha profere que não pode receber doação de sangue, por exemplo, aos olhos de um ‘não cristão’, isso é o que todo cristão acredita e pratica.

Ele também exemplifica isso citando um cristão espanhol que decidiu defender em seu site que, de fato (segundo ele), o sol não gira em torno da Terra. Aos olhos da comunidade científica, todo crente vai pensar assim.

O cristão deve entender isso quando for explicar sua crença para outras pessoas. Ciência e fé podem andar juntas se estivermos dispostos a compreender o pensamento dos outros.

Declínio do cristianismo

O texto revela que o cristianismo está em declínio na França, Espanha e Estados Unidos justamente pelos conflitos de ideias entre fé e ciência e a incapacidade de os líderes cristãos aceitarem as descobertas científicas como parte da criação de Deus.

Aqui, faço uma intervenção para colocar minha opinião. Acredito que se Deus criou o Universo e tudo o que nele há, Deus é suficiente e capaz para fazer tudo com perfeição e de forma que funcione bem seguindo leis físicas e químicas. Não tem cabimento acharmos que a ciência contradiz a fé, uma vez que tudo foi criado por Deus.

As leis físicas e químicas não servem para contrariar a possibilidade da existência de um criador, pelo contrário, mostra como ele faz tudo sem precisar de ‘mágica’.

Voltando à entrevista, o professor francês indica que a insistência de líderes religiosos defenderem a criação literal em seis dias e a idade da Terra em seis mil anos levam a maioria dos jovens a verem a bíblia como apenas um conto de fadas. Ao escrever o livro, seu ideal é mostrar que o fato de a Terra ter mais de seis mil anos não contradiz ou invalida a bíblia.

Fé e ciência na Holanda

Atualmente a Holanda é um país formado por sua maioria de ateus e pessoas que se dizem sem religião. A Holanda foi um importante centro da fé protestante, onde o calvinismo foi desenvolvido com muito empenho. O país foi essencial para o crescimento do calvinismo, que também teve forte base na Escócia e Estados Unidos. Entretanto, segundo o último censo publicado, menos de 15% das pessoas se declaram protestantes (no Brasil chamados de evangélicos). Em termos de organização, não podemos dizer que os evangélicos de lá não são bem organizados, pois criaram escolas cristãs, canais de comunicação e os cristãos participaram bem, com boa influência, da vida política daquele país. Neste trecho, vamos analisar como os holandeses encaram o assunto fé e ciência.

No início do século 21 houve uma grande reviravolta no debate criacionismo-evolucionismo, com a publicação na Holanda de livros sobre o Design Inteligente (ID). O número de protestantes holandeses abraçando a teoria do Design Inteligente foi espantoso, o que levou-os a aceitar a ‘evolução teísta’. Sinais que fé e ciência voltam a se entender.

Em 2009, com o bicentenário do nascimento de Darwin, o debate voltou com intensidade. Em 2013, no entanto, foi criado o projeto  “From Babel to Understanding: towards a fruitful debate on evolutionary creation in the Netherlands” – ‘De Babel à compreensão – para um debate proveitoso sobre a criação evolucionária na Holanda’ (tradução livre) para um debate equilibrado com intuído de unificar os pontos de vista sobre ciência e religião a fim de uma fortificação do cristianismo no país, tendo em vista a queda no número de cristãos no país nas últimas décadas e o crescimento do ateísmo no país europeu.

Ao analisar os fatos ocorridos na Holanda e sua situação atual, vemos que tratar o assunto ciência e religião com diferentes pontos de vista é importante para apresentarmos ideias mais completas de nossa fé e nosso ponto de vista.

Enquanto radicais refutavam ideias sem se aprofundarem nelas, e sem apresentarem contrapropostas, a fé cristã caiu em descrédito, levando ao declínio do protestantismo na Holanda. O empenho em mostrar que fé e ciência podem caminhar juntas, tem rendido bons resultados para os holandeses.

Israel

Acho importante deixar claro que as interpretações diferentes das nossas não significam a perda da salvação, mas, certamente, um dia saberemos como tudo aconteceu e vamos perceber que na verdade, não importa ‘como’ aconteceu, mas simplesmente, ‘que’ aconteceu. O diálogo entre fé e ciência na Terra Santa é importante para estudarmos como podemos lidar com este assunto no trabalho, em casa e nos bancos das universidades.

Podemos contemplar as estrelas, galáxias e micropartículas e imaginar como Deus pode ser grandioso e perfeito em tudo o que faz. Conhecer a sua maneira de agir, através de estudos científicos, não deve nos levar a perder nossa fé, mas sim aprofundá-la e vermos o quão maravilhoso é esta obra prima o qual habitamos, chamado Universo.

Fé e ciência na Terra Santa

Um artigo de George Abdo revela que, para ele em todas as partes do mundo, a união entre fé e ciência não é tão boa quanto deveria ser, mas em todo o mundo há pessoas dispostas a ‘saírem da caixa’ para tentar unificar estes dois conceitos que por anos nos foram colocados como rivais: quem crê em um não pode crer em outro, conceito que não deveria existir.

George Abdo é um cientista de origem árabe nascido em Nazaré, Israel, portanto é um “cristão protestante árabe israelense”. Diríamos que é uma minoria da minoria da minoria naquele país. Cerca de 20% dos israelenses são (de origem) árabes, desses, apenas 2% são cristãos, incluindo católicos, e outras ramificações. Em outras palavras, ele representa, em termos étnico-religioso, menos de 1% da população de Israel. Daí podemos ver quantos problemas e adversidades ele passou, e ainda enfrenta, em sua vida para sustentar sua fé. Vale ressaltar que Israel é um importante centro científico mundial.

Abdo compreendeu então que Deus se revela ao homem não apenas por si, mas também por sua criação, como um artista que se expressa por suas obras, por isso, defende que fé e ciência estão relacionadas. Então ele percebeu que era possível conhecer melhor ao Criador estudando e conhecendo sua criação. Desde então, tirou um peso das suas costas.

Quando adquirimos novos conhecimentos científicos, ficamos com medo de ter nossa fé abalada, como se fé e ciência fossem inimigas. Afinal, que fé é essa que se baseia em sabedoria humana? Paulo nos orienta que não devemos basear nossa fé em sabedoria humana, mas no poder e transformação do Senhor, através de Jesus Cristo – 1 Coríntios 2:1 a 5.

Se temos medo que a ciência confronte nossa fé, estamos nos baseando em quê? O que descobrimos com as ciências é como Deus criou todas as coisas, por isso, as descobertas científicas não servem para abalar a fé, mas sim para contemplar a obra do Criador.

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