Namoro evangélico deve ser uma preparação para o casamento 

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Quando se fala em casamento, muitas igrejas deixam para falar sobre isso apenas nos grupos de casais. Mas será que não deveríamos preparar melhor o cristão para essa nova fase da vida? Afinal, como se diz, é melhor prevenir que remediar. Jovens e adolescentes muito ouvem sobre o namoro evangélico, aprendendo sobre santidade e virgindade, mas são poucos os líderes de jovens e adolescentes que falam sobre organizar finanças, planejamento familiar, personalidade do homem e da mulher etc. As igrejas delegam esses assuntos para os casais (casados) e perdem a oportunidade de preparem seus jovens para criarem uma família bem estruturada.

Sem a devida orientação o resultado é que a quantidade de divórcios entre evangélicos é quase a mesma de casais não cristãos. Alguma coisa está sendo feita errada. Aparentemente, restringir o assunto namoro cristão à virgindade seja uma estratégia ineficaz. Não que não seja primordial, mas certamente existe mais assuntos importantes quando estamos orientando jovens a construírem uma família.

O crescimento no número de usuários de sites de namoro evangélico demonstra bem a falta de estrutura na formação de famílias. Cristãos se casam sem qualquer estrutura, como os não cristãos, baseados em perfil da internet.

Por que falar sobre como cuidar da esposa, submissão, dicas para educar filhos, dicas financeiras etc, só depois do casamento? Será que nossos jovens são incapazes de lidar com estes assuntos durante o namoro evangélico?


Casar para quê?

Esta é uma pergunta cada vez mais frequente em nossa sociedade, principalmente entre os mais jovens. Com tantos custos (casa, festa, vestido, fotógrafo, filmagem…) o casamento parece cada vez menos viável. Por conta disso, o casamento parece cair em “desuso”. Por outro lado, o divórcio parece, cada vez mais, uma opção inteligente, ao surgirem os problemas. A famosa “crise dos sete anos” vem se alastrando.

Jovens e adolescentes precisam aproveitar o período do namoro evangélico para se planejarem para construir uma família.

Talvez, isso ocorra por conta de uma grande falta de estrutura e orientação sobre os reais objetivos do casamento. Independente da idade, muitos se frustram com as perspectivas do casamento. Não são preparados para enfrentarem alguns problemas. Aliás, mais que isso, os jovens poderiam aprender a evitar problemas que, mais tarde, viram uma bola de neve, culminando em divórcios.

Muitos jovens se casam sem saber, por exemplo, o que seu próprio cônjuge pensa sobre comprar ou alugar um imóvel, quando comprar um carro, como administrar as finanças e, comumente, sequer sabem qual o salário conjunto (somando os salários do marido e esposa).

O que implica o casamento

Uma pesquisa no Canadá revelou que os casais mais velhos são os mais felizes. Isso porque já têm uma ideia do que significa conviver com outra pessoa. Muitos jovens evangélicos passam todo o período do namoro cristão sem aprender o que significa morar com outra pessoa, de família diferente, com ideias diferentes, planos diferentes, pretensões profissionais diferentes, e por aí vai.

Existe uma esperança errada que o casamento significa ter uma vida independente sem regras, sem imposições: “posso dormir a hora que quiser”, “posso sair todo fim de semana”, “chegar em casa e não fazer nada”, “a casa é minha, faço o que quiser”. É como se a pessoa quisesse voltar a ser criança, sem responsabilidades. É com este pensamento que muitos jovens se casam.

O casamento não é uma carta de alforria. As obrigações em casa não acabam com o casamento, elas continuam: respeitar horário no banheiro, silêncio de manhã, jogar o lixo fora, limpar o banheiro, cozinhar, limpar a louça…

Devemos estar cada vez mais conscientes que o casamento não significa “viver a vida ao meu modo”, mas sim viver respeitosamente com outra pessoa.

Perdendo a virgindade

Sabemos que nas igrejas evangélicas, os jovens primam por se casarem virgem, mas quando a adolescência vai passando e a vida adulta se aproxima, o desespero bate à porta e o medo de “ficar para titia” chega ao auge. Então, qualquer “rapazinho” ou “mocinha” jeitosa pode ser minha esposa. A busca pelo par perfeito ganha uma dose extra de adrenalina e a emoção fala mais alto que a razão: escolhe-se “qualquer um” – pois agora, o objetivo não é estruturar uma família e sim perder a virgindade.

O período do namoro evangélico, que deveria ser de aprendizado e preparo, acaba servindo apenas para organizar o casamento.

Provérbios 18:22 – O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR

Como, no namoro evangélico, é preciso se casar para perder a virgindade, os jovens acabam se casando sem a devida estrutura, com o objetivo maior de perder a virgindade.

O resultado disso é casamentos desfeitos em poucos anos, ou até meses. O índice de divórcio entre evangélicos e não evangélicos é praticamente o mesmo. Isso mostra falta de estrutura de um “pré-casamento”.

Casar é iniciar uma família

Mesmo em casais mais experientes (que não são virgens, já tiveram outras famílias), quando resolvem se casar, a ansiedade prevalece sobre o planejamento, afinal, “já sei o que é casamento” – “já tenho experiência” – “sou divorciado porque eu era jovem, agora sou maduro”.

Quando pretendia se casar com Raquel, Jacó teve que trabalhar sete anos. Após este período, ainda teve que trabalhar mais sete anos, totalizando 14 anos de trabalho para conseguir o que queria. Seria muito estruturar um casamento com sete anos de namoro? Parece muito muito, não é verdade? imagine 14 anos.

Não estamos dizendo que são precisos 14 anos de namoro antes do casamento, mas um bom tempo para estruturação emocional, financeira e espiritual.

Se você é líder de um grupo de jovens ou adolescentes evangélicos, sugiro um exercício para aqueles que estão em um relacionamento de namoro evangélico. Separe meninos e meninas (homens e mulheres) e faça perguntas como:

  • Quando você quer ter um filho?
  • Para começar o casamento, vale a pena alugar uma imóvel?
  • Vocês pretendem comprar um imóvel depois do casamento? Se sim, depois de quanto tempo?
  • Você sabe quanto custa um imóvel para morar (seja para comprar ou para alugar)?
  • Como você pretende criar seu filho até dois anos? Vai deixar em creche, alguém da família vai ajudar? Somente a mãe vai cuidar do filho (não vai trabalhar)?
  • Qual o salário familiar (marido mais esposa) que você considera ideal para se casar?
  • Para ter um filho, quanto você acha que deve ser um salário familiar?

Se quiser incluir outras, inclua. O ideal é que as respostas sejam escritas para que depois possam ser comparadas, os jovens não precisam responder em voz alta. Depois, junte as respostas dos casais de namorados, e veja se eles estão com o pensamento alinhado. Não se surpreenda se as respostas do casal forem bem diferentes.

Educação financeira

Estruturar uma família não é fácil, não acontece do dia para noite. É preciso ler muitos livros de relacionamento, família e organização financeira. Será que nosso jovens de 23, 25 anos, por exemplo, estão preparados?

Estrutura financeira antes do casamento também é indispensável. Há quem recomende que, no mínimo, o casal tenha empregos seguros (carteira assinada, emprego público), mesmo quem tem emprego autônomo deve ter, pelo menos 3 ou 4 anos de experiência, para poder saber como estruturar uma vida nova.

Enfim, para quem planeja se casar, tenha sempre em mente que os motivos racionais (financeiro, maturidade, conhecimento) devem prevalecer sobre os emocionais (busca pela independência, perder a virgindade, autoafirmação).

Podemos concluir este estudo sobre namoro evangélico lembrando que devemos confiar a Deus todo o nosso preparo para o casamento.

1 Pedro 5:6-7 – Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

O namoro cristão é o período que devemos nos preparar para formar uma família, o plano de amor maior para a humanidade. Por isso, o preparo é importante, mas muitos jovens iniciam seus matrimônios despreparados, resultando em um índice de divórcio bem próximo ao de casais que não são cristãos, ou seja, a igreja está fracassando na construção de famílias. Passamos mais tempo reparando, reformando, do que propriamente construindo. E tudo começa no namoro cristão.

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2 comentários

  • Claudia Romero

    Como o tema está bem explanado!! Gostei muito….que muitos jovens possam ler este texto e tomá-lo como referência séria e importante para suas vidas! Casamento é uma instituição estabelecida por Deus e não por homens, por isso deve seguir os padrões de Deus e não do mundo. Que as igrejas possam mesmo investir nesse tema com os jovens e não só com casais, pois bons frutos colherão !

  • heloisa da Conceicao machado

    Esse grupo e d Goiás ou nao

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