O comportamento cristão e a sociedade brasileira

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Alguns têm orgulho fervoroso em ser brasileiro. Outros sentem vergonha de seu povo. Há ainda os que pouco ligam para isso. Certo é que existem características presente em muitos brasileiros que não condizem com uma vida cristã correta. Provavelmente, ao ler isso, a primeira coisa que veio à sua cabeça foi o famoso “jeitinho brasileiro ou gambiarra”, mas veremos que existem alguns outros detalhes que precisamos trabalhar para darmos um bom testemunho do cristianismo. O objetivo deste texto não é criticar ou enaltecer um povo, mas mostrar que alguns costumes intrínsecos em nossa cultura não são condizentes com um bom comportamento cristão.

Enumeramos cinco características que podem ser observados em nosso dia a dia. Evidente que não são todas as pessoas que agem desta forma, ou possuem todas estes pontos, mas esta mensagem pode servir de referência para nos vigiarmos e trabalhar em nossa personalidade, principalmente naquilo que achamos que não tem problema. Como cristãos, em primeiro lugar, travamos batalhas diárias para que a vontade de nossa carne não se sobressaia aos valores do cristianismo, o que não é fácil. E mudar condutas enraizadas em nós é ainda mais complexo. Por isso, identificar esses hábitos da maioria dos brasileiros não deve ser feito para apontar o erro dos outros, mas sim para trabalharmos em nós mesmos.

Falar alto e falar muito 

Curiosamente, além de falar muito, com todos (conhecidos e desconhecidos), o brasileiro também gosta de falar alto. Isso fica mais fácil de ser percebido no exterior. Normalmente, os brasileiros gostam de se mostrar como estrangeiros, falando alto e comparando o lugar que estão com o Brasil. O que se fala não será abordado, mas sim como se fala. Talvez você não veja problemas em falar alto ou muito, mas alguns versículos nos mostram que devemos refrear nossa língua.

Em Efésios 5:4 lemos que o cristão não deve fazer “gracejos indecentes ou conversas tolas”. Acredito que a parte que fala dos “gracejos indecentes” dispensa explicações, já as conversas tolas ganham amplo sentido. Piadas, falar da vida de alguém, a separação de um artista, ou a própria vida particular podem se encaixar aqui. Em conversas com pessoas não cristãs, por exemplo, não é raro homens e mulheres falarem de suas vidas íntimas. Em Provérbios 13:3 também podemos ler sobre controlar nossa vontade de falar sobre tudo com todos: “O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína”.

O ímpeto de falar de tudo com todos abre brecha para que nossas próprias vidas sejam expostas a todo tipo de problemas. Ainda em Provérbios, lemos que a mulher bonita, mas sem discrição é como joia no nariz de porco. Podemos aprender aqui a sermos discretos.

A tagarelice não pode fazer parte da vida de quem deseja ter um bom comportamento cristão. Nosso costume de falar tudo com todos se assemelha à história do rei Ezequias que mostrou seu tesouro a reis estrangeiros e depois foi saqueado justamente por aqueles povos.

Ainda sobre ser discretos, vamos ler Provérbios 11:12 e 13.

O homem que não tem juízo ridiculariza o seu próximo, mas o que tem entendimento refreia a língua. Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo.

Por fim, Provérbios 10:19 também ensina que “quando são muitas as palavras o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato”.

Até agora falamos em falar muito, mas e a parte de falar alto? Precisamos começar este assunto apontando o maior problema de falar alto, que é o fato de incomodar os outros, principalmente à noite. Como vimos anteriormente, a bíblia nos orienta diversas vezes a sermos discretos. Quem fala alto está sendo discreto? Nossa vida cristã precisa refletir amor, calma, brandura e gentileza. Além disso, alguns versículos nos ensinam a falar com brandura e gentilmente: Provérbios 31:26, Provérbios 16:24 e 1 Pedro 3:9 são alguns exemplos. Leia em sua Bíblia.



Falta de planejamento 

O comportamento cristão deve ser baseada na fé, mas isso não implica e falta de planejamento. Muitas vezes, queremos fazer a nossa vontade e no decorrer do caminho queremos mudar de ideia. Percebo esta falta de planejamento em muitas famílias brasileiras. Aliás, na política, no esporte, na cultura. Tudo é feito para agora e “depois a gente vê”. O resultado é esta constante falta de estrutura em nosso país. Nossa política é exercida para “agora”, para a perpetuação no poder. O esporte rende alguns bons resultados graças a talentos isolados e não a uma estrutura e planejamento.

Nesta linha, muitos cristãos desperdiçam oportunidades de melhorar de vida. Casam-se cedo demais, ganham o primeiro filho quando mal podem se sustentar, fazem dívidas atrás de dívidas, compram carro em parcelas que, no fim, somam o valor de dois três carros em um ano.

Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Lucas 14:28

Quando Neemias reergueu os muros de Jerusalém, contou com oração e colocou guardas para vigiar a cidade (Neemias 4:9), ou seja, não contou apenas com oração, mas fez uma ação pensada, planejada. Por isso, Jesus também ensinou “orai e vigiai”.

Muitas vezes, usamos a fé como desculpar para não nos planejarmos, não passar um tempo pensando e estudando nosso futuro. Toda decisão que tomamos terá um reflexo lá na frente. Colhemos o que plantamos, se nada plantamos, nada colheremos.

O comportamento cristão deve ser reconhecido também pelo bom planejamento e organização do tempo.

Muitos amigos 

Outra característica comum entre os brasileiros que não combina com o comportamento cristão é o excesso de amizades. Provérbios 18:24, que diz: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo, mas há amigo mais chegado do que um irmão”. Também podemos ler em 1 Reis 12, sobre Roboão e seus amigos. Roboão deu mais valor às opiniões de seus amigos do que às opiniões de pessoas experientes, o que acabou levando-o ao fracasso.

  • Provérbios 12:26 diz: “o homem honesto é cauteloso em suas amizades”.

O próprio Jesus é um grande exemplo sobre a restrição às amizades. Apesar de ser seguido por multidões, teve apenas 12 discípulos e ainda assim, apenas três eram mais chegados.

Queremos ser amigos de todos do trabalho, da vizinhança, da faculdade, da escola. Claro que devemos ser generosos e bondosos com todos, mas não temos que criar laços de amizades. Aliás, em nossa própria família precisamos discernir quem entra em nossa casa, com quem passamos os feriados, quais as companhias de nossos filhos etc.

Estudo realizado entre 2001 e 2007 indica que grande parte dos casos de abuso infantil e pedofilia ocorre com membros da própria família (tios, primos etc). Isso nos faz refletir sobre quem entra em nossa casa com frequência. A quem confiamos nossos filhos?

Malandragem 

Este tópico é bem óbvio e contraditório ao comportamento cristão. Podemos associar a malandragem com o famoso “jeitinho brasileiro”, ou seja, fazer as coisas de forma incorreta para benefício próprio ou de outra pessoa, a quem nos interessa. Reclamamos da corrupção dos políticos, mas insistimos em ter tv a cabo com ligação irregular, enganamos turistas estrangeiros, roubamos no relógio de água, entregamos atestados médicos “frios” etc.

O agir corretamente, mesmo que isso nos prejudique é fundamental no bom comportamento cristão.

  • Provérbios 21:6: “Melhor é o pobre íntegro em sua conduta do que o rico perverso em seus caminhos”.
  • Provérbios 19:1: Melhor é o pobre que vive com integridade do que o tolo que fala  perversamente.
  • Provérbios 21:3: Fazer o que é justo e certo é mais aceitável ao Senhor do que  oferecer sacrifícios.
  • Provérbios 11:17: “Quem faz o bem aos outros, a si mesmo o faz”

Vestimentas 

Talvez, você, dependendo de onde mora, não perceba tanto a indecência nas roupas das mulheres que moram em regiões quentes e/ou praianas. Nas cidades litorâneas é mais fácil perceber como não existe diferença entre a roupas do cristão e do não cristão. Provavelmente, o versículo mais conhecido que fala sobre as vestimentas do cristão é 1 Timóteo 2:9 e 10 – “Da mesma forma quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças, nem ouro, nem pérolas, nem roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que professam adorar a Deus.

Já ouvi casos de mulheres que reclamaram que viajaram para Europa e foram tratadas com desrespeito, mas confesso que, vendo como estavam vestidas, minha razão foi para os europeus. A forma sensual de se vestir da mulher brasileira começa aos dez, doze anos, quando se espelham em dançarinas e cantoras que se vestem de forma sensual. Mas não quero focar essas mulheres, e sim a mulher cristã e o comportamento cristão.

Trazemos este modo de se vestir para as igrejas e não percebemos que estamos trazendo valores invertidos para um lugar que deveria remar na contramão dos costumes mundanos. A feminilidade, e a vaidade feminina podem ser preservadas sem apelo para o sensual.

Sou brasileiro, com muito orgulho… 

Levantamos apenas cinco características bem marcantes do povo brasileiro que não condizem com um bom comportamento cristão. Isso não significa críticas a nosso povo, mas é que morando por aqui, fica mais fácil perceber o que precisamos mudar. Se eu morasse na Finlândia, por exemplo, certamente abordaria o povo finlandês neste texto.

Que nossa vida cristã seja reflexo de Jesus e não meramente de um povo ou um país, pois Cristo veio para nos trazer unidade e não para ser adaptado aos nossos costumes e cultura.

Ronnie Turrini

Você pode se aprofundar nestes assuntos com nosso textos:

Falar-em-público-ANIMADO

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