Tenho vergonha de dizer, mas não tenho amigos 

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Basta uma rápida pesquisa na internet para vermos como não são poucas as pessoas que declaram: eu não tenho amigos. Os motivos são bem variados. Alguns são tímidos, outros mudaram de cidade ou emprego e não conseguem “se encaixar”, outros não conseguem fazer amizades simplesmente porque não encontram pessoas com as mesmas afinidades. Há ainda os que colocam muita expectativa nessas amizades e sempre se sentem sozinhos, sem amigos. Neste texto veremos como podemos lidar com esse momento, em que olhamos ao redor e pensamos – não tenho amigos –  e como podemos ajudar que outras pessoas superam este momento da vida. 

Em primeiro lugar, precisamos definir o que é um amigo. Vivemos em um país latino típico, onde se prega que devemos ser rodeados de amigos, participar de churrasco todo final de semana, acompanhar todo campeonato de futebol e nossa casa deve estar sempre cheia de pessoas. Nada disso tem relação direta com amizade. Se um homem não gosta de futebol, suas chances de puxar assunto com alguém caem drasticamente. Se uma mulher não acompanha a novela, ou um jovem não é chegado a seriados, seu círculo de “possíveis amigos” também fica diminuto. Parece que se você não tiver Netflix ou não se agrada dos Youtubers do momento, é um alienado fadado a viver isolado. Por isso, precisamos compreender que a definição de amizade, o que esperamos de um amigo precisa ser moderado, ponderado. 

Amadurecimento 

Tire de sua mente este conceito que você precisa estar rodeado de amigos e viver em eventos sociais todo final de semana. Pondere que você tem sua vida para definir, para cuidar. Se sua prioridade é fazer amigos, você sempre estará frustrado, pois ninguém agrada a todos, ninguém é amigo de todos. Mesmo porque, assim como nós, todos têm sua vida. Conforme as pessoas, casam, ganham filhos, mudam de emprego, sua rotina muda. Devemos compreender que aquela amizade de criança nunca mais vai existir. Quando éramos crianças não tínhamos nossas “responsabilidades”, e nossos amigos também tinha tempo livre de sobra. Podíamos ficar na rua, na casa de um, dormir na casa de outro. O tempo passou. Precisamos ter consciência disso. Eu não posso achar que não tenho amigos porque queria amigos como os que eu tinha quando era criança de dez ou onze anos. 

Seus defeitos 

Outra queixa frequente é sobre a própria timidez. Muitas pessoas dizem – não tenho amigos porque sou muito tímido. Mais um mito a ser quebrado, pois todos nós sempre supervalorizamos nossas falhas. Uma experiência que demonstra bem isso foi feita da seguinte forma. Um jovem foi a uma festa com uma camisa ridícula para tentar socializar. Após o evento, os participantes foram questionados se tinham percebido alguém com uma camisa ridícula. Curiosamente, a maior parte dos convidados não havia percebido tal fato. Esse teste serviu para mostrar que muitas vezes nossos obstáculos e medos estão muito mais ligados ao nosso pensamento do que as pessoas realmente notam e se importam. 

  • Não é possível detalhar a experiência neste texto porque foi vista em um documentário televisivo.  

O que é importante para o nosso contexto é perceber que muitas vezes nossa timidez, ou outras coisas que julgamos ser uma barreira para criar novas amizades, não são observados pelas outras pessoas. São fantasmas de nossos pensamentos. Outro exemplo básico é quando, por exemplo, cortamos o cabelo e saímos na rua em seguida. Parece que todos sabem que acabamos de cortar o cabelo, quando na verdade ninguém “está nem aí” para o nosso cabelo; na verdade, nem dá para saber quando alguém acabou de cortar o cabelo ou não, então por que temos essa sensação? Não é verdade? Mesmo quando vemos alguém com um corte extravagante, não sabemos há quanto tempo a pessoa está com aquele corte. 

Valorize-se 

Quando nos sentimos solidários podemos cair no erro de não nos valorizar e acabar aceitando qualquer tipo de amizade. Até podemos dizer que isso também é muito comum nos relacionamentos amorosos. Algumas pessoas aceitam namoros com pessoas desapropriadas somente pelo medo de ficarem sozinhas pelo resto da vida. Não rebaixe seus padrões e nem mude suas preferências somente para agradar os outros, para criar amizades. Você não é obrigado a gostar de futebol para puxar assunto com outras pessoas, e nem falar de mulher, fazer piadinhas de duplo sentido ou falar mal de alguém para conseguir se sentir parte de uma roda de amigos. Pense se é melhor dizer -não tenho amigos – ou – tenho amigos de má influência. É só você pensar no ditado – antes só do que mal acompanhado. 

Na igreja 

Apesar ser parte da vida de todo ser humano, as amizades são pouco trabalhadas na maior parte das igrejas evangélicas. Existem grupos de jovens, casais e tantos outros grupos e ações, mas quase nunca são feitos esforços para que os membros desenvolvam seus laços de amizades. Talvez, se você questionar aos líderes das igrejas por que não existem ações neste sentido, muitos devem responder “como não? Temos os retiros, os cultos de oração, células, escola bíblica…” Pois é, são muitas atividades que podem ajudar a criar amigos, mas que não são atividades com o propósito central de criar vínculos de amizades saudáveis. 

Em Provérbios 17:1 diz que “é melhor um pedaço de pão seco em paz de espírito do que um banquete numa casa cheia de contendas”. Veja que valioso aprendizado podemos tomar neste trecho. Podemos compreender que ao invés de lutar por inúmeras amizades, “likes” e “curtidas”; devemos valorizar o que tem valor mesmo em pouca quantidade. 

Se você faz parte de uma igreja evangélica, perceba que mesmo em um lugar com pessoas com a mesma fé que você, ainda assim criar amizades vai levar tempo, mesmo porque passamos pouco tempo com essas pessoas e em atividades muito específicas. Dificilmente, na igreja, você vai ter a oportunidade de ir à frente de uma reunião e dizer algo como – eu não tenho amigos e preciso de novas amizades. Apesar de frequentar os cultos e as reuniões, fazer amizades vai levar tempos, até mesmo anos porque este tempo na igreja é curto e não há tempo para iniciar conversas mais informais. 

Quando chegamos a uma igreja (independente de sermos cristãos há anos ou não) sempre ficamos acanhados. Não sabemos ao certo quem são as pessoas, que tipo de brincadeira podemos fazer, a rotina daquela comunidade. Não tenha pressa em fazer amizades. Apenas, contente-se com sua fé, sua caminhada. Com o tempo, as verdadeiras amizades vão surgindo e você vai aprendendo a lidar com cada tipo de pessoa, cada situação. Em 1 Coríntios 13: 4 e 5 aprendemos que o amor verdadeiro não busca os próprios interesses. Isso nos ensina que não devemos colocar nossa felicidade de acordo com o que os outros falam, comentam e compartilham de nós. Devemos buscar a felicidade plena na comunhão com nosso Senhor, para que também possamos tirar de nossos ombros essa obrigação de ter amigos incontáveis. 

Da próxima vez que você pensar – não tenho amigos – lembre-se em buscar sua felicidade em sua fé e não nas pessoas, pois as pessoas vão e vêm, e mesmo nosso melhor amigo hoje pode estar distante amanhã. Se isso acontecer, nossa alegria também se vai, mas quando depositamos nossa alegria no que é eterno, nossa autoconfiança e segurança se tornam eternas também.  

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Um comentário

  • “Parece que se você não tiver Netflix ou não se agrada dos Youtubers do momento, é um alienado fadado a viver isolado.”, bem isso mesmo. Lembrei do pessoal do mundo corporativo que conheci, num trampo meu, em SP. Era difícil entrar na conversa por não assistir GoT ou novo filme da Marvel…

    Apesar de todos os problemas, ainda acho mais fácil se fazer amigos por aqui na Baixada do em S. Paulo. As pessoas que conheci (vivo em SP), nas que levei mais adiante, com o tempo se revelaram falsas, meio que querendo tirar algum proveito no final e não querendo manter algo de verdade… Bom é isso antes que me alongue mais por aqui rsrs, abs

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