Um bom pai cria vínculos emocionais com seu filho 

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A vida corrida moderna impede que pais (pai e mãe) dediquem o tempo que gostariam aos seus filhos, com isso, como um consolo, os pais compensam essa falta de tempo com bens materiais, comprando presentes, viagens, colocando em aulas de natação, futebol, balé, mas nada disso é mais marcante na vida de um criança do que o elo criado entre pai e filho. Um bom pai não é o que compra mais coisas, mas sim aquele que  consegue criar vínculos duradouros com seus filhos; e isso, obviamente, só se consegue quando passamos tempo com nossos filhos. Quando um pai investe seu tempo no filho, está imprimindo um elo de emoções no relacionamento.

Educar um filho, no sentindo total da expressão, significa criar um relacionamento profundo entre pai e filho. Um mergulha no mundo do outro, criando sentimentos e sensações únicas. É assim que um bom pai conhece, educa e corrige a área emocional de um filho. Na biologia, o ser humano é o que tem os filhos mais dependentes. Em diversas espécies, por exemplo, um animal com cinco anos já é adulto. Já um ser humano com cinco anos, mal consegue beber água ou comer sozinho.  Isso faz que o homem seja mais racional e menos instintivo. O relacionamento profundo entre uma criança e seus pais é que tornam uma criança e um ser humano único.

Compartilhe sua vida 

De acordo com o médico e escritor Augusto Cury, uma das formas mais eficientes de criar um vínculo profundo entre pai e filho é através da troca de experiências. Para isso acontecer o pai deve estar disposto a compartilhar suas histórias com seus filhos. Aliás, Augusto Cury, em seu livro “Pais brilhantes, professores fascinantes” – explica que é importante que os pais estejam dispostos a compartilhar todo tipo de história, inclusive as experiências ruins. Ele usa a expressão “humanize-se”, ou seja, mostre para seu filho que você passa por momentos difíceis, comete erros e acertos, sente emoções boas e ruins. A melhor forma de um bom pai conquistar a confiança de seu filho é criando estes laços emocionais e confidenciais.

Histórias com emoções ficam mais facilmente registradas em nossa memória, por isso, ao compartilhar suas histórias com seu filho, enfatize seus sentimentos, suas emoções.

A Bíblia nos traz todos os erros e emocionais de seus principais personagens. Exceto Jesus, ninguém é retratado como perfeito. Isso mostra como o Pai criou laços com seus filhos através das Escrituras.

Como um bom pai cristão, você deve compartilhar também com o filho suas experiências com o Senhor. Como foi o início de sua conversão, como era sua vida antes de se tornar cristão, quais erros você cometeu e se arrependeu, como você combateu determinados vícios e pecados. A única orientação adequada sobre compartilhar suas histórias é saber dizer as histórias adequadas para cada faixa etária.

Um bom pai não é o bom profissional, é apenas um pai presente. Nós, adultos, achamos que nosso filho pode ter mais orgulho de nós porque somos médico, engenheiro, professor, pastor ou político, por exemplo, mas isso só vale para a nossa cabeça. A criança precisa de alguém que converse com ela, que brinque junto, que faça castelo de areia, que pule, empurre, faça careta, use máscara. São esses momentos que ficarão impressos na memória de seu filho. Muitos pais não se aproximam de seu filho por que acham que não tem tempo. Para seu filho, o tempo não importa, o que ele quer é saber que você está lá.

Evite recompensas 

Segundo Cury, outro fator que esfria o relacionamento de um bom pai com o filho é a relação através de recompensas, seja por coisas boas, seja para compensar uma consciência pesada. Muitos pais querem compensar a falta de tempo com seu filho evitando discipliná-lo. Sabemos que a bíblia nos orienta a educar nosso filho com disciplina e correção.

  • “A repreensão penetra mais profundamente no prudente do que cem açoites no tolo” Provérbios 17:10.
  • “E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”. Hebreus 12:11.
  • “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe”. Provérbios 29:15.
  • “Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo”.  Provérbios 13:24.

Muitos pais evitam corrigir e disciplinar seu filho porque já sentem um peso na consciência por passarem pouco tempo com ele. Ainda que inconsciente, esses pais evitam um castigo para seu filho como uma “recompensa” por não terem tempo o suficiente com ele. Este é um fator muito presente na vida moderna que um bom pai cristão deve evitar. Deixar de corrigir um filho nunca é uma boa recompensa.

Outra situação em que a recompensa é muito (erroneamente) utilizada é quando o pai comete algum erro com seu filho (uma bronca indevida, um castigo mal aplicado). Ao perceber o erro, o pai passa a oferecer uma recompensa material, um doce, um passeio, um presente. Essa atitude abre as portas para a manipulação dos sentimentos. Ao perceber que sempre que está triste, ela é recompensada, a criança sempre vai forçar (e até fingir) emoções tristes para ganhar coisas boas.

O melhor a fazer, quando perceber que errou com seu filho, é justamente criar um diálogo. Explicar suas emoções, que o levaram a errar. Assim, ele também aprenderá a lidar com seu emocional, reconhecer seus erros.

Conquiste a confiança de seu filho 

Com diálogo e troca de experiências, seu filho vai aprender a confiar em ti. Da mesma forma que você sempre se abriu para falar suas histórias, seus sentimentos, ela vai sentir confiança de conversar com você sobre os sentimentos dele, seus erros, suas dúvidas. Muitos pais não sabem como conquistar a confiança de seu filho, principalmente quando chegam á adolescência, mas não percebem que durante toda a criação, não houve um diálogo. O filho nunca ouviu seu pai contar suas histórias. O filho enxerga no pai um carrasco, apenas. O simples diálogo rotineiro é o suficiente para criar uma relação de confiança com seu filho, que verá em você um bom pai.

Se o seu filho já é adolescente, ou mesmo adulto, e você deseja criar esse laço de confiança, ainda há tempo. Seja sutil, não “force a barra”. Aos poucos aproxime-se dele com conversas constantes. Lembre-se de que você deve sempre ser o primeiro a conversar, expor suas emoções, seus sentimentos. Só assim, com o tempo, ele vai perceber que você é, de fato, um bom pai.

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