Acreditar em Deus é coisa de gente burra? 

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Quando o assunto é acreditar em Deus os ânimos começam a se alterar. Para aqueles que não acreditam que o Universo tem um propósito, acreditar que existem um Criador de tudo é coisa para pessoas ignorantes, burras, sem estudo. Para os que acreditam em Deus, trata-se de um sentimento íntimo, que traz paz e segurança sobre o futuro, sobre questões elementares como vida e morte. Neste texto queremos explorar o assunto de um ponto de vista muito usado pelas pessoas que não acreditam em Deus, que é dizer que pessoas inteligentes são ateias e somente os ignorantes acreditam em Deus. E que a religião é causa de todos os males da humanidade. 

Com o despontar do humanismo, no século XV, toda forma de religião passou a ser combatida de forma mais veemente. Além do pensamento ateísmo, que nega a existência de Deus, outros pensamentos como o deísmo, também são contrários ao pensamento popular sobre Deus. No deísmo, por exemplo, prega-se que Deus até pode existir, mas a humanidade foi abandonada à sua sorte. Outra forma filosófica que passou a ganhar força após o iluminismo é o agnosticismo, que afirma que a existência de Deus não pode ser comprovada e nem mesmo sua inexistência, sendo tal questão sem resposta. Se não há certeza que Deus existe, é melhor não acreditar em Deus. 

Este nosso texto foi baseado no documentário Evidências, apresentado pelo antropólogo Rodrigo Silva (segue vídeo no fim da página e em nossa página do Youtube). Outro comportamento humano comum a este assunto que o estudioso apresenta é o ateu prático, pessoas que dizem que acreditam em Deus, mas que, na prática, vivem como se não acreditassem nisso. São pessoas que declaram seguir uma determinada religião, mas que não praticam essa fé, e que vivem mais como se não cressem em nada.  




Ascensão do ateísmo 

Vamos falar um pouco sobre o neoateísmo, envolvendo muitos jovens, principalmente em países de Primeiro Mundo. É uma corrente cética, que visa combater a existência de Deus com todas as forças. Seu principal percussor é o britânico Rihcard Dawkings, autor do livro “Deus, um delírio” (título no Brasil), que critica veemente a existência de um criador. O jornalista Christopher Hitchens, falecido em 2011, foi outro grande defensor deste conceito de neoateísmo. Agressivos em sua forma de atuar, costumam ser mais “fanáticos” do que muitos religiosos em sua forma de defender suas opiniões. Alguns até criaram diploma de doutor em ateísmo e declararam “guerra” à celebração de Natal. Para os neoateístas, acreditar em Deus é coisa de gente burra e escravos de leis religiosas. 

“Quem acredita em Deus é estúpido” 

Pode parecer agressivo, mas este é o tom de uma campanha neoateísta que viralizou nas redes sociais há alguns anos. O slogam “Adultos com amigos imaginários é estúpido” se popularizou e se propagou rapidamente na internet. O objetivo é convencer as pessoas que acreditar em Deus é para estúpidos, ignorantes. Com este tom iracundo neoateístas combatem toda forma de fé em Deus. Outra frase muito famosa que marcou muitas pessoas há décadas foi dita pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin, primeira pessoa a orbitar a Terra. Ao retornar ele disse “eu fui ao céu e não vi Deus por lá” (tradução livre). A sentença foi uma clara provocação àqueles que acreditam em Deus. 

Levando esse slogam a sério, podemos dizer que praticamente toda a humanidade, no decorrer da história e ainda hoje é formada de pessoas estúpidas. Atualmente, podemos dizer que o ateísmo está em seu auge, mas ainda assim, segundo principais entidades de pesquisa do mundo apontam que nem 5% das pessoas se declaram ateus.  

Uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos, e do mundo, a MIT, também já registrou um polêmico caso envolvendo religiosos e neoateus. Ao saber que um evento com religiosos seria realizado em uma parte do campus da MIT, um grupo de raivosos ateus decidiu protestar contra o evento dizendo que não queriam “este tipo de gente” por lá. 

A sobrevivência da fé 

Se levarmos ao pé da letra as declarações raivosas de estudiosos e professores universitários, que defendem que nenhum tipo de fé pode ser exercida em um campus acadêmico porque isso atrapalha a ciência, eles mesmos estão se contradizendo, pois não existem estudos científicos que comprovem tal ideia. Combater todo tipo de fé apenas por questões ideológicas ou filosófica, nada mais é do que um tipo de preconceito. Aliás, quando o humanismo despontou, as previsões eram que a religião seria praticamente extinta em uma ou duas gerações. Obviamente, isso não aconteceu, portanto sua própria premissa é errada. Ainda assim não admitem que erraram em suas previsões. Usam dois pesos e duas medidas, o que é totalmente contraditório com a metodologia científica. 

Passam-se anos e a sobrevivência da fé permanece. Há anos, por exemplo, dizia-se que o Universo era eterno e não teve um começo; o que foi desmentido anos mais tarde. Diversas correntes filosóficas tentaram proibir, ou ao menos coibir, a religião, como o materialismo e o comunismo, mas nenhuma delas obteve êxito.  

Estudos 

Pesquisas lideradas por Hebert Benson, de Harvard, indicam que meditação e a fé em Deus colaboram no tratamento de doenças e outros problemas físicos. Outra pesquisa que traz interessantes informações sobre o assunto, foi realizado na Universidade Johns Hopkings, que comprovou que a participação em uma igreja, ainda que uma vez por mês, diminuem em até 50% as chances de uma pessoa ter doenças do coração, cirrose, depressão, tentativas de suicídio, enfisemas etc. Seriam estes seus estudos e pesquisas estúpidos e infantis? Percebam que estes estudos não visam defender uma religião, mas apenas demonstram que acreditar em Deus tem seus benefícios, mesmo que Deus não exista. Portanto, acreditar em Deus não é tão estúpido assim. 

O livro “Como Deus muda sua mente” (título no Brasil), de Andrews Newberg e Mark Waldman, com inúmeras pesquisas realizadas por especialistas na Pensilvânia, também mostram que a fé ajuda a superar diversos problemas. Assim como nos estudos mencionados no parágrafo anterior, eles não se preocupam em defender esta ou aquela fé, mas mostram que uma fé é importante par ao ser humano e que traz resultados reais e não imaginários. Um destes estudos aponta que a mente humana foi projetada para crer em um ser superior, e quando isso não acontece, o ser humano passa a adorar outra coisa no lugar de Deus, que pode ser o dinheiro, o sexo, o egoísmo. Muitos pesquisadores que participaram destes estudos sequer seguem uma religião.  

Ressaltamos, que estas pesquisas realmente não comprovam que Deus existe, mas mostram que acreditar em Deus não é tão estúpido assim. 

Obrigar que um aluno universitário deixe de acreditar em Deus é obrigar que a pessoa interrompa a sua natureza humana, tornando-se cético e materialista.  Por outro lado, não queremos incentivar quem acredita em Deus a criticar ou deixar de crer na ciência. Pelo contrário, a ciência pode ser vista como uma obra do Criador. A chuva ou a gravidade são verdades que não precisam ser explicadas através de uma divindade. Por outro lado, muitos fatos narrados na Bíblia não podem ser comprovados por experimentos, como o nascimento de uma virgem, ou a abertura do Mar Vermelho (embora existam diversos estudos sobre o assunto, a verdade é que nenhum deles apresentam uma resposta final ao relato bíblico).  

A própria Bíblia, em Hebreus 11:6, nos diz que é impossível agradar a Deus sem a fé, por isso mesmo, não é coerente tentarmos explicar milagres, ou a própria existência de Deus, através de experimentos e comprovações laboratoriais. Aliás, negar a hipótese de um Criador para o Universo é contrário ao próprio método científico, que preza por analisar as diversas hipóteses para uma resposta.  

O psicanalista austríaco Viktor Frankl realizou uma série de estudos que apontaram que a mente humana foi projetada para crer em um ser superior (ressaltamos mais uma vez que isso não comprova a existência de Deus, mas que obrigar o ser humano a não seguir uma fé é antinatural). Esta afirmação tem amplo apoio de pensadores ateus, e até mesmo de Darwin, que pulicou em seu livro, A Origem do Homem, uma predisposição universal de o homem crer em algo sagrado. Em outras palavras, acreditar em Deus é inerente ao homem. 

Alguns ateus mais radicais chamam a religião e a fé de doença. Isso significa dizer que ex-criminosos que abandonaram o crime para seguir uma fé tomaram a decisão errada e deveriam voltar ao crime. 

Como reagir às zombarias 

Por fim, podemos lembrar que inúmeras pessoas com elevados níveis de QI, como Albert Einstein, declaram, e declararam, acreditar em Deus. Por tanto, é cientificamente errado afirmar que acreditar em Deus é coisa para pessoas. Declarar isso é na verdade apenas um preconceito. 

Como cristãos, no entanto, devemos tomar o cuidado de não cair em provocações ou responder questionamentos e zombarias com o mesmo tom. Como Jesus nos ensinou (Mateus 5:44) devemos amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem. Nossa maior “vingança” contra os que zombam de nossa fé é vê-los um dia convertidos. Além disso, muitas pessoas rejeitam não o Senhor que conhecemos, mas sim um deus pregado por falsos profetas, por guerras religiosas e por tantos testemunhos errôneos. Tudo o que essas pessoas precisam é de uma oportunidade para conhecerem um Deus amoroso e misericordioso, criador de tudo e de todos. 

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